quarta-feira, 14 de junho de 2017

Quando eu sou fútil

Por muito tempo me senti cansada, estressada ou sempre atrasada para o excesso de compromissos da minha vida. Esgotada é a palavra, física e emocionalmente. Sei que não sou a única pois a pressa em ser, ter e fazer tudo (ao mesmo tempo) é o mal da vida pós-moderna, ou da hipermodernidade, como a chamam alguns autores. Whatever.

Corra, Madi Lola, corra...
Parece que as demandas do dia-a-dia são cada vez maiores, sendo cada vez menor o tempo de que dispomos pra atendê-las, abrindo mão de"assuntos menores", mas também importantes pra nossa autoestima. Ir à manicure, por exemplo. Esse ato prosaico, fútil e desnecessário pra muita gente, é uma verdadeira higiene mental pra mim, sem falar que é mais barato que terapia (que eu até consideraria, mas não vamos entrar no mérito!) - Madi, vc não vem almoçar conosco? (bah, gurias, tenho um compromisso importante) sim, eu abria mão do almoço com as colegas pra ir à manicure, ao menos 1 x semana. Mas voltava ao trabalho com bom humor e disposição inacreditáveis pra uma barriga vazia. Há que se fazer escolhas, e entre o buffet da esquina e as minhas mãos, eu ficava com a segunda opção.
Mãos falam, mãos criam, acariciam, mãos podem fazer alertas!
Recentemente um par de mãos surgiu num canal em Veneza como forma de alerta à população para o aquecimento global. Elas "seguram" a cidade, que pode afundar se as águas continuarem subindo. A obra do artista Lorenzo Quinn ficará instalada até final de novembro.
Sempre olho as mãos das pessoas - e as minhas. Percebo se estão mal-cuidadas, os outros também (ok, não sei se percebem ou se importam, mas eu não posso ver uma unha lascada ou descascada: se é a minha, escondo as mãos debaixo da mesa, se é da interlocutora à minha frente, não consigo sequer encará-la, fico obcecada olhando aquelas mãos que falam comigo, é mais forte do que eu!). Não julgo ninguém pelas mãos ou unhas (mentira!), mas a primeira impressão é a que fica, jamais esqueço um aperto de mão mole ou uma unha descascada - será que Freud explica?
Ok, me julguem!

Talvez seja toque. Mera futilidade, excesso de vaidade - chamem do que quiserem - o fato é que o ritual de sentar frente a frente com a terapeuta manicure, jogar meia hora de conversa fora enquanto beberico um cafezinho com a mão livre, liberta meus pensamentos e me faz sentir leve, prestes a alçar vôo, feito uma Vitória de Samotrácia (bem, ela não tem braços, não sei como eram as mãos, e quem se importa com isso diante de tão bela imagem?) #eumedesdizendo


Na entrada principal do Louvre, no alto da escadaria, ela recebe os visitantes de braços asas abertas
Sentada com meu café, olho o esmalte escuro sendo passado, pincelada por pincelada. Penso em Pollock. Queria que a manicure me atirasse os esmaltes em fúria, criando obras de arte na ponta dos meus dedos. Nessas horas, sou fútil, bem fútil. Sei que existem coisas muito mais importantes acontecendo, desastres de todo tipo, ameaças nucleares, alterações climáticas, o país vai mal, a política pior ainda, mas o mundo pode esperar. Este esmalte é ultra rápido na secagem, é só um minutinho: já volto pra realidade.




segunda-feira, 29 de maio de 2017

Sobre um mestrado e um sumiço

Quem me acompanha aqui sabe que fui fazer um mestrado em Portugal, país que, definitivamente, não me canso de visitar, enaltecer e amar. Após dois anos de idas e vindas, muito estudo e dedicação - mas também um mergulho caprichado na cultura lusitana, de norte a sul, com seus encantos e delícias - minha família brasileira já brinca comigo: "A Madi se tornou portuguesa", com direito a musiquinha: É uma velha portuguesa, com certeza...
"Portugas, agora somos nós que vamos invadir suas praias!" Aqui o grupo de brasileiros fazendo mestrado e doutorado na UFP e que conheci no primeiro fim-de-semana no Porto, antes de iniciar as aulas.
Eu rio da musiquinha. Entro na brincadeira e respondo ora, pois!
E sinto falta mesmo da minha "vida portuguesa", do que lá encontrei, dos amigos que fiz, das famílias que me acolheram, de tudo que vi, ouvi, provei, fiz e senti. Acima de tudo, do que aprendi, sobre o que fui estudar - meu objetivo principal - e sobre mim mesma. Uma viagem sozinha é sempre um autodescobrimento, uma forma de se conectar com seu eu mais profundo, com aquela pessoa que vc foi um dia e já nem lembra mais. Sim, nossas personas se perdem pela vida, não somem da nossa essência, mas as camadas que vamos sobrepondo, ao longo do tempo e das concessões adaptações que fazemos pra nos encaixar, vão distanciando o que fomos do que nos tornamos. Nietzsche sabia das coisas.
Admirando o rio Douro  num dos muitos deques onde se pode sentar para assistir o pôr do sol mais lindo do mundo (que, por acaso, não apareceu neste dia, estava nublado, rsss..)
Logo que cheguei ao Porto, em junho de 2015, sozinha e com aquele friozinho na barriga, de quem vai enfrentar uma situação nova, confesso que estava meio tensa. Pra ser franca, não sabia mesmo se queria fazer um mestrado, se já não era tarde pra realizar um sonho antigo, se valia a pena deixar marido e filhos no Brasil e voltar ao universo acadêmico de leituras e pesquisas, o qual eu já tinha deixado de lado desde minha especialização, em 2006/7. Sempre gostei de ler e estudar, isso é #fato, mas daí a largar meu trabalho/vida estabilizada e me mandar pra Portugal, virar aluna novamente com toda aquela rotina estressante de aulas, seminários, visitas à biblioteca, pesquisas a artigos, teses e calhamaços pra ler, recensões críticas pra escrever e aquela pressão toda pra ir bem, me pareceu um surto psicótico adolescente.
"Ô tia, onde é a seção de marketing?" -Não sei, oh pá, tb sou estudante aqui, caralho!

Provavelmente eu estava tentando postergar meus 50 (fui admitida no mestrado com 49 anos) - mas seja lá o que me levou a isso, já estava escrito. Maktube. E foi preciso coragem pra entrar na sala de aula com aqueles jovens cheios de gás, hiperconectados, atualizados e super focados. Eles tb devem ter se perguntado, o que ela faz aqui? - boa pergunta, pessoal! (na época eu não sabia, mas agora garanto: nunca é tarde!)
No primeiro dia, sentada na minha classe, tentando acompanhar a aula (tudo muito rápido, não estava mais acostumada a isso, ainda mais depois de ser apresentada à plataforma SPSS), caiu a ficha: percebi que o mundo tinha mudado - estava bem mais rápido - e eu teria de me puxar (e muito) pra acompanhar o ritmo deles e não ficar pra trás.

Minha turma na escada da universidade, colegas que se tornaram amigos pra vida, e que jamais esquecerei: Marcelo, Sheila, Karina e Douglas, aprendi muito com vcs! Essa selfie do Doug foi no nosso último dia de aula em 2015, os sorrisos eram de felicidade e puro alívio pelo fim das aulas, provas, etc (minhas olheiras não negam...)


 
Terminadas as disciplinas, cada um de nós voltou ao Brasil com seus próprios desafios a vencer, objetivos a cumprir e uma dissertação inteira pra escrever, tendo o orientador à distância. Volta-se para Portugal em até 2 anos para a defesa (optei por voltar 1 ano depois). Quem vai fazer mestrado no exterior e não pretende morar lá por mais do que um ou dois meses, pode optar pelo regime intensivo, onde se cursam as disciplinas presenciais obrigatórias no período de férias de verão das universidades (julho e agosto). Existem muitos estudantes brasileiros fazendo isso em Portugal, pela facilidade do idioma e também porque o país é muito acolhedor, impossível não se sentir em casa.

No studio de TV da universidade, com um de nossos professores.
Os portugueses têm fama de ranzinzas, mas é só no primeiro momento: assim que criam uma certa intimidade, tal impressão logo se desfaz e vemos que são gentis, hospitaleiros e muito engraçados, de um tipo de humor mais sutil, diferente do nosso. Somos mais debochados e escrachados, fazemos piada de tudo, algumas sem graça nenhuma. As de português, por exemplo. Eles detestam.#ficaadica.
Faz sentido. Esse povo é muito mais formal e respeitoso, enquanto os brasucas já invademchegam criando intimidade e fazendo estardalhaço, é o nosso jeito. Eles estranham mas logo se acostumam e retribuem nos conquistando pelo estômago, com fartura e amor. Quem já foi convidado a comer e beber na casa de uma família portuguesa, sabe do que estou falando. Os portugueses cozinham muito bem e valorizam seus ingredientes locais. Os vinhos merecem um post à parte. Os doces, só rezando. De joelhos.
Entretanto, na maioria das vezes, eram umas triviais latinhas de bacalhau com grão de bico que me salvavam do aperto. Infelizmente, nunca encontrei por aqui, mas meu orientador e sua esposa fizeram a gentileza de me enviar pelo correio no natal passado. Como não amar esses portugas?
Minha marca favorita, mas não a única. Preço: em torno de 1 euro, às vezes tinha promoção no super e saía tipo 90 cents - quando isso acontecia, eu estocava as latinhas, meu recorde foram 23 (sim, eu limpava as prateleiras!)- não, nem se compara à comida "de verdade", mas era prático, barato e quebrava um galhão...

Bem, eu já falei sobre o mestrado e sobre a experiência em terras lusitanas (sobre meu sumiço acho que ninguém percebeu, então vou abafar o caso). Precisei de tempo pra refletir, a volta é sempre complicada, até nos acharmos novamente. O mundo real anda enquanto estamos fora, não se pode esquecer. No virtual, tb é bom dar um tempo, até pra trazer outros assuntos aqui, além da moda, é claro. E antes que vcs perguntem, já respondo:
-Mestrado em quê? Ciências da Comunicação.
-Se a experiência foi boa? Melhor do que eu esperava.
-Que porra é essa de SPSS? Pois é, nem queiram saber (eu vinha de outra área, nunca tinha mexido nisso) mas basicamente é um software que usa estatística, dentre outras análises, pra transformar dados em informações, muito usado em pesquisa de mercado. Esta foi a matéria do primeiro dia de aula e eu já surtei de cara, lógico.
-Se já consegui revalidar o título de mestre no Brasil? Ainda não, mas estou em processo de.
-Como fiz pra ir estudar lá? Eu descobri o curso aqui

Mais questionamentos? Estou à disposição!
Obrigada e até a próxima.




sexta-feira, 12 de junho de 2015

Uma paradinha

Aos amigos blogueiros, aos que aparecem por aqui de vez em quando-e a quem interessar possa-o bloguinho vai dar uma paradinha estratégica para estudos. Ninguém aqui está abandonando o barco, hein? Se não há nada de interessante ou não há tempo para postar, o melhor é ficar quieto.
E assim tenho estado, bem quieta e estudando, nessa minha volta ao mundo acadêmico, que não tem sido fácil!
Depois de uma certa idade, é difícil trilhar esse caminho, a gente vai ficando destreinada de estudar, sem sistema, meio perdida nas pesquisas (é muuuuuita coisa!!!!) e ainda tendo de se alinhar com a gurizada, que já está voltando saltitante qdo. recém estamos indo, aos trancos e barrancos, hehe..
Mas um desafio de vez em quando faz bem, dá um up na carreira e no cérebro, os neurônios se desatrofiam e até nos sentimos rejuvenescidos no meio dos alunos que, certamente, num primeiro momento, devem se perguntar o que a "tia" está fazendo ali, ou seria ela a profe?
-Oi, não, não, eu sou aluna tb...
Oi???
Claro que tem alunos de todas as idades estudando, mas em alguns momentos a gente se sente meio peixe fora dágua, principalmente na hora dos trabalhos em grupo. Todo mundo já tem um grupo, alguns pela idade (tô fora), já se conhecem da faculdade (eu me formei muito antes), das baladas (não frequento faz tempo), outros pelas áreas de interesse ( a minha é meio fora de contexto), então o(a) "coroa" sempre sobra, ele tem q se esforçar mais pra ser incluído, do contrário, a tendência é ficar pra trás. Detalhe: ninguém faz isso por mal, é uma coisa natural, simplesmente acontece, o mais velho vai sobrando, ele pode ter a experiência e até contribuir no trabalho, mas os mais jovens sempre vão achar que ele está desatualizado, que ele não acompanhou o zeitgeist , afinal, hoje tudo é tão rápido que realmente esse é um risco que  se corre...e o diferente acaba sendo excluído, o que, pra mim, tem sido uma lição de humildade. Agora sei como muita gente se sente, por diversas razões.
Estou num Mestrado onde 98% dos mestrandos tem menos de 30 anos, e qualquer um próximo dos 50 é Matusalém, não tem conversa. Eles até trocam umas palavrinhas por cordialidade mas depois somem, não te incluem no grupo deles no whatts, combinam ou comentam várias coisas no corredor que não entendo bulhufas, faço cara de quem tá por dentro mas sei que não convenço.
É horrível esse "não fazer parte"...Eles me olham com aquela superioridade que só os jovens possuem, lembro bem como era, um dia eu tb fui invencível e dona do mundo! Mas esse mundo que eu conhecia se transformou, tudo mudou, e eu também mudei.
As coisas acontecem muito mais rápido agora. Fato.
Eu corro pra acompanhar mas às vezes sinto que meu tempo já passou, o que estou fazendo aqui e mimimimi...(mas isso só dura 5 minutos, tá, gente? No dia seguinte já estou animada de novo e cheia de sonhos, projetos...)
O bloguinho não está em crise existencial mas, a essas alturas, é preciso focar e baixar a cabeça nos estudos.
Já não tenho tempo pra perder tempo.
Em agosto, estou de volta!


sábado, 2 de maio de 2015

De Kant e do que deve ser feito!

O que posso dizer das pessoas mal-educadas, dos sem-caráter? Que tenho pena ou vergonha alheia? Que elas me irritam/chocam/entristecem? Não. Na verdade, não tenho vontade de dizer nada. Pq não vai adiantar, elas continuarão a ser mal educadas e a não ter caráter, uma reprimenda isolada não vai mudar o que foi ensinado (ou deixado de ensinar) desde sempre. A má educação, a falta de valores morais, começa em casa, com os exemplos que são dados pelos pais, familiares, quem convive com a criança, e isso já antes da escola! Escola sozinha não educa, escola reforça a educação que é dada em casa. Se a criança cresce ouvindo que levar o brinquedinho da casa do amigo "por esquecimento" e ficar com ele não tem problema, ela vai continuar "esquecendo" quando adulta e continuará levando o que não lhe pertence.
Ah, isso acontece nas melhores famílias, alguns dirão, mas tá errado, não importa que família seja, pode ser até na real britânica, -que, aliás, acaba de ganhar mais uma princesinha- se o filho ou a filha pegou um brinquedo que não era seu, tem de devolver, não interessa se é sangue azul ou plebeu, o pai e a mãe ou quem é o responsável por essa criança devem ensinar a coisa certa ou correm o risco, pela omissão, de criar um futuro larápio. É o famoso "imperativo categórico de Kant", pra quem gosta de Filosofia, que eu muito li nos meus tempos de estudante de Direito, e que, em resumo, significa FAZER O QUE DEVE SER FEITO.
"Fazer para o outro o que gostarias que fosse feito para ti" seria uma síntese simplista do imperativo categórico, mas eu, como mera leiga e nada erudita, entendo que é mais ou menos por aí...
Antes do feriado vi uma mãe colocando um bonequinho do Imaginex dentro da mochila do filho, bem na porta da escola onde o meu estuda, e peguei um resto de diálogo assim:
-Mas mãe, esse boneco aí não é o meu, eu acho q é da caixa de brinquedos da turma..
-Ah, vamos levar esse mesmo pois se o teu sumir, tu não fica no prejuízo!
Meu pequeno, que tb presenciou a cena, arregalou o olho e, num ímpeto de criança, gritou:
-Sua mal-educada!
Eu não sei se essa mãe ouviu, se deu bola, mas me senti culpada por não ter feito isso eu mesma, um guri de 6 anos teve de me lembrar a máxima kantiana: Fazer o que deve ser feito. Ele fez.
Eu me omiti.
E omissão, como bem sabemos, não educa.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O bolo mais feio do mundo

Pensem num bolo feio, mas feio mesmo, de olhar pra ele e perder imediatamente a vontade de comer. Pensaram? O que inspirou este post era mil vezes pior.
Pq falaria eu sobre bolos num blog de moda, que há muito tempo não fala mais sobre moda?
(porque o blog é meu e eu escrevo o que eu quero)
Porque esse bolo deveria ser o centro das atenções num jantar de bodas de prata!-as minhas, aliás.
Eu pensei em vários estilos, mas todos com um "sutil" toque de moda:
Wow, gostei desse, mas acho que seria meio difícil conseguir alguém que fizesse um assim lá na padaria do interior, onde celebrei meu niver de casamento...
Esse aqui também tá bem digno, né?


Hummm...que bolo culto!
Esse aqui tá bem masculino...mas nenhum desses combina com bodas de prata ,hehe...
Pois é, com essa pasta americana se fazem maravilhas na área de doces e afins, mas eu, lá no interior, bem na fronteira com o Uruguai, não ia ter o desplante de encomendar algo assim, que o patissier padeiro iria me mandar plantar coquinho e ainda me chamar de "metida da capital"-como eu sou do interior, posso falar, tá? Garanto que não sou nenhuma dondoca metida a besta, mas que lá é difícil conseguir fornecedor pra festas, ah, isso é! -Quer algo diferente? Providencie onde tem e leve com vc, não adianta arrancar os cabelos qdo. estiver lá e perceber que as soluções locais não são nem de longe o que vc imaginou pra sua grande noite...E se vc não mora mais no local há anos e não conhece ninguém pra te ajudar, esqueça! Ou não reclame.
A conversa com o padeiro catado no Google foi super esclarecedora:
-O senhor, por acaso, faz bolo com pasta americana? Aqueles enfeitados, blá-blá...
-Não, aqui se faz bolo com coisas brasileiras, no máximo um doce de leite uruguaio.
Aham.
-E algo mais artístico?
-O bolo da Pepa é o que tem mais saída. Quer que mande a foto pelo zap-zap?
-Ãhnnn, não, a festa é de 25 anos, não de 5...
Mas o padeiro mandou, ele queria mostrar seus dotes como confeiteiro:
E ele insistiu: "esse bolo é muito gostoso, as crianças vão adorar", meu pai amado, o que é isso?
-Senhor, esqueça o bolo artístico, quero um bolo branco, normal, redondo, recheio de qualquer coisa, pode até ser esse doce de leite, mas me põe um La Pataya ou um Conaprole, por favor..
-A senhora escolheu bem, pra que essas frescuras de americano, né, dona, a gente tá no Brasil, mas olha, eu posso enfeitar esse bolo com purpurina prateada comestível, fica muito bonito e de acordo com a ocasião..
-NÃO PRECISA! Tá bom assim , o senhor manda entregar no hotel. Obrigada, de nada.
Assunto encerrado.
"Amor, esconde o bolo e disfarça com o brinde!"
Se o bolo entregue era branco, simples e redondo? Não, claro que não. O padeiro resolveu mandar, por conta dele, um bolo "artístico", o qual, por respeito ao bom-gosto de vcs e total falta de coragem minha, não postarei a foto, se é que restou alguma em que ele aparece.
Mas fica registrado que este, com certeza, ganhou o título de "o bolo mais feio do mundo"....



quinta-feira, 16 de abril de 2015

Pensando no meu niver....

Eu estava meio pensativa nesses últimos dias, distraída, ou tentando me esquecer que, em setembro, completarei 5 décadas de vida, idade emblemática (e, pq não dizer, um tanto assustadora!) na vida de uma mulher. A Globo (plim-plim) está completando 50 anos e é motivo de festa, orgulho, sinônimo de conquistas, mas eu, que nasci no mesmo ano em que a emissora foi criada, oscilo numa gangorra emocional contraditória. Não sei se me orgulho, se comemoro, não sei se tenho vontade de fazer algo na data ou se começo a me preparar pro "depois". Aliás, o que vem depois? Os próximos 50?
Cheguei oficialmente na "meia-idade", considerando que eu viva até os 100, o que não me preocupa pois sou daquelas que vive o hoje, o aqui e agora. Não faço planos nem projeções, tenho o presente pra me ocupar, e o meu me ocupa bastante. Se a segunda metade for mais curta mas intensa, não me importo. Quero ter energia até o fim, apesar das pelancas- o fim virá e as pelancas tb, fazer o quê?
Se tenho medo de envelhecer? Tenho, mas o maior temor, fora a decrepitude física, é a perspectiva da doença, das limitações, de ficar dependente dos outros, de começar a me esquecer de quem sou ou fui, ou então de continuar tendo a mesma cabeça, lucidez, a vontade de fazer e o corpo não acompanhar...Sei que pareço dramática mas não chega a ser um sofrimento, e tb não estou triste, apenas pensando....Quem chegou lá deve saber do que estou falando, duvido que isso não mexa com a pessoa. Sim, gurizada, pra mim tb parecia tão longe, mas está acontecendo, e é melhor isso do que a outra hipótese, né? Aliás, essa outra eu finjo que nem existe, rssss....
Mas eis que vejo a noticia de que, no dia do meu aniversário, exatamente no dia dos meus 50, o Queen estará em Porto Alegre fazendo show!
Claro que sem a formação original, mas ainda é o Queen de Brian May e Roger Taylor, lendas vivas a quem idolatrei desde a minha adolescência, e, sem tentar ocupar o lugar de Freddie (pq isso não tem como, Freddie é insubstituível!), a função de vocalista caberá ao cantor e ator super performático, Adam Lambert, que ficou em segundo lugar no American Idol em 2009. Ou seja, o cara canta, e muito!- fãs do Queen, por favor, não comparem e dêem uma chance ao americano, o próprio Roger Taylor declarou em entrevista, no ano passado, que só aceitou sair em turnê com a banda pq gostou da voz e do estilo do Adam- fui conferir as apresentações no Youtube e me surpreendi. Adam Lambert não é o Freddie Mercury, mas cumpre bem o papel no palco e tem o aval dos 2 integrantes originais que, aliás, já estão "velhinhos" e continuam mandando muito bem!
Perfeitamente integrado à banda, Adam Lambert trouxe um novo fôlego ao Queen
Crise dos 50?
Que crise, estou contando os dias pro meu niver e pra ver o Queen+Adam Lambert tocando todos aqueles sucessos que cresci escutando.
Vai ser o melhor aniversário da minha vida.
O presente, certamente será!

quinta-feira, 26 de março de 2015

Mais uma do elevador!

Pra variar, tive outro "encontro no elevador-parte III"-sim, a-do-ro encontrar gente interessante no elevador, analisar seus sapatos (um fetiche), cheiros (nem todos são bons )depois subir o olhar e, pela roupa, imaginar quem são, o que fazem, se estão com pressa ou atrasados, bem humorados ou estressados, enfim, tudo isso naqueles segundos de "viagem na vertical" até a porta se abrir no térreo e cada um tomar seu rumo, sua vida, provavelmente sem nunca mais se ver...pensando bem, a probabilidade é bem pequena mesmo- como sempre, começo minha "análise de elevador" olhando para os pés, e assim deparei-me com este par:
"Olá, eu sou o brogue, um calçado de origem escocesa e muito famoso pelos meus furinhos, deixo qualquer pé bem charmoso e atraio mulheres no ato!"
Hummm...sapato sem meia já denota um certo conhecimento de moda, não são todos os homens que se arriscam, é preciso estilo e personalidade. O bofe em questão não era lindo mas tinha charme e atitude de sobra- aliás, sempre prefiro esses, os muito bonitos dão trabalho ou são um pouco narcisistas, e eu não tenho paciência com homem que demora na frente do espelho mais do que eu. Passo. Aliás, eles é que me passam, hehe, nem olham. O cara em questão tinha um ar de Lapo Elkann, o enfant terrible e herdeiro da FIAT(ele é o bisneto do fundador), que depois de aprontar tudo que podia, montou seu próprio negócio e vai muito bem, obrigado.
Quem é Lapo? Cata o bofe:
Rico, solteiro, 36 anos, meio encrenqueiro e da pá virada, aparece em revistas de fofocas sempre acompanhado de belas mulheres, mas há quem garanta que o negócio dele é outro...será?
Fuma feito um morcego e usa sapato branco como ninguém conseguiria!
Tb usa óculos incríveis (ele tem uma coleção que já é sucesso no mercado) e geralmente está sem meias, não importa a temperatura...
Nascido em NYC mas criado como italiano (percebe-se pela elegância nata), ele já morou no Brasil e fala um português impecável, que graça....
Aparece como pegador em diversas revistas e com diversas conquistas:

Não sei quem é a bruaca mas se conseguir virar signora Elkann, será odiada por mim por toda a eternidade!
Pois é, mas o meu Lapo do elevador provavelmente não tinha todo esse pedigree e allure, perdoem essa divagação toda, que a porta se abriu, de repente, e o cara saiu fincado feito um raio, não sem antes pisar no meu pé, eu, a mulher invisível, com aquele brogue chulezento...que ódio!